quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Editorial

Fartos!

Três pontos prévios: independentemente da crise, são desumanas e escandalosas as duplas e triplas reformas milionárias e as subvenções vitalícias dos políticos; independentemente da crise, são desumanos e escandalosos os vencimentos e prémios dos gestores públicos; independentemente da crise são desumanas e escandalosas (e não mais toleráveis) as falcatruas e “habilidades” de certos elementos da classe política (havendo aqui que ressalvar, a bem da verdade, que os políticos não são todos iguais, embora seja frequente os “bons” fazerem “vista grossa” às “habilidades” dos “maus”, desde que estes vistam uma camisola da mesma cor…).
Vamos agora à crise. O atual Governo começou mal a difícil caminhada para recuperar Portugal. Enquanto não “colocar na ordem” aqueles senhores (os políticos que desde o Bloco Central têm vindo a aprovar sucessivas leis - leia-se benesses - em beneficio de si próprios), não pode o executivo de Pedro Passos Coelho, ainda que pelos grandes desígnios do país, sobrecarregar os “outros”, que ganham pensões e ordenados de miséria (e dizer que estes não são penalizados é falsear a questão, porque pagam mais caro o gás, a água, a luz, etc.etc.etc…). Não pode fazê-lo, não deve fazê-lo, não tem espaço de manobra para o fazer. Além de que é desumano e escandaloso sobrecarregar sempre os mesmos. Além de que são desumanas e escandalosas as gritantes desigualdades sociais que se verificam em Portugal. Além de que são desumanas e escandalosas as mordomias concedidas a uma certa gente que tomou conta de Portugal…
Basta ouvir declarações antigas de dirigentes do PSD, nomeadamente do líder Pedro Passos Coelho, para se perceber que no decorrer da campanha que levou o partido à vitória levantaram a voz contra as desumanidades e os escândalos que grassam na sociedade portuguesa. O PSD não pode agora ser igual… Tem de ser diferente! Porque de “mais do mesmo” estamos fartos. Fartos!

Convidamos os nossos leitores a lerem com atenção o artigo de opinião de Francisco Banha, publicado na página 22 desta edição do Região do Castelo, e a compararem-no com as declarações do secretário de Estado Miguel Mestre que, no Brasil, perante a comunidade portuguesa de São Paulo e estudantes luso-brasileiros, apelou aos jovens portugueses para emigrarem. Apetece tirar o chapéu à lucidez e frescura com que Francisco Banha aborda a questão do empreendedorismo local; apetece perguntar a Miguel Mestre “porque não se cala”…

Já aqui questionámos a opção pelo metro de superfície no ramal da Lousã. Porque a eletrificação da linha e manutenção do comboio sempre nos pareceu a melhor solução para as populações e a mais vantajosa para os cofres do Estado. Duzentos milhões de euros depois, o atual Governo arrepiou caminho e anunciou o regresso do comboio à linha da Lousã. Uma boa notícia para os utentes, que entretanto tinham ficado sem comboio e sem metro. Urge a concretização!

António José Ferreira  

1 comentário:

Ma-Ry disse...

No final o tribunal de contas da razão aos que criticaram o esbanjamento de dinheiro para o Metro da Lousã. Como também dara razão aos que criticaram autoestradas inúteis,estádios inúteis e outros programas de prestigio duvidoso inúteis.