quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Editorial

Mudar de vida?

"Que eu saiba, nessas subvenções não existe subsídio de Natal, nem de férias. Nem teriam de haver, pela simples razão de, tecnicamente, não serem pensões". Palavras de Mira Amaral, um dos beneficiados com as pensões especiais de titulares de cargos políticos, congratulando-se com o facto de não vir a ser “cortado” como a grande maioria dos portugueses.
João Salgueiro, antigo presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), criticando o facto de se continuar "à espera que o Estado resolva os problemas", convida os portugueses a mudarem de vida.
Trazemos à liça uma outra frase proferida recentemente: “Você sabe lá o que é a vida, senhor primeiro-ministro!”. Jerónimo de Sousa, no debate parlamentar de apresentação do Orçamento de Estado para 2012.
Acreditamos que Pedro Passos Coelho sabe “o que é a vida”. Por isso lhe demos um voto de confiança, num Editorial escrito após a vitória nas Legislativas de junho deste ano, na convicção de que fará o necessário para reerguer Portugal. E é muito o que é preciso fazer, dado o estado calamitoso a que chegaram as contas públicas e o risco de em causa poderem estar, a breve prazo, todos os compromissos do Estado, entre eles salários e pensões. Mas se sabe “o que é a vida”, senhor primeiro-ministro, não deixe de fora dos sacrifícios aqueles dois senhores, e outros, que falam com tanta insensibilidade do modo de vida dos outros…
Mudar de vida, Sr. Dr. João Salgueiro? Com toda a certeza há milhões de portugueses que gostariam de o fazer: viver no conforto que o senhor vive, alimentar-se como o senhor se alimenta, conhecer os lugares que o senhor conhece. Mudar de vida? Sim. Trabalhem os políticos para que todos os portugueses possam mudar de vida. Para melhor e não para continuarem a ser espoliados do pouco que têm, até do salário que deviam receber no final do mês…
Urge desmistificar um novo “chavão” introduzido no discurso político: o de que os portugueses vivem acima das possibilidades. Mas quais portugueses? Os reformados com pensões de miséria, os trabalhadores que recebem o salário mínimo, os desempregados? Não! Os gestores públicos, os políticos com direito a subvenções, subsídios de residência e carros de alta cilindrada, os “habilidosos” do BPN? Sim!

Casa cheia nas Grocinas e nas Serradas da Freixiosa, por ocasião de eventos organizados pela Associação Cultural e Recreativa das Grocinas e pelo Centro Cultural Monde de Vez. Prova de como está de boa saúde o associativismo no concelho de Penela e da abnegação dos dirigentes que, quase sem apoios, fazem “das tripas coração” para manter vivas as associações que lideram e, dessa forma, os costumes e tradições que lhes estão associados. Chapeau!

António José Ferreira

3 comentários:

Ma-Ry disse...

A analise da situação económica-social do Sr. Ferreira é bastante boa. Todavia falta mencionar um factor para explicar o desastre de hoje. No pós-25 de Abril, Portugal foi (quase) sempre mal governado, a todos os níveis. O cidadão vulgar tem culpad porque continuou a votar naqueles políticos que prometeram estádios, autoestradas inúteis, parques de diversões, festas e mais festas. Chegou a hora de pagar a factura.

Anónimo disse...

Concordo plenamente consigo. Mas têm os justos que pagar pelo cidadão vulgar? Têm os justos que pagar pelos erros passados dos injustos e continuarem a pagar pelos "erros" dos presentes gulas? Claro que têm! São em minoria os justos! Os predadores continuam a alimentarem-se de grande caça,as aves tentam sobreviver... É a lei da vida! Nunca mudará porque as mentalidades assim não o permitem. Infelizmente somos uns fracos que mesmo calcados pelos do lado, "desculpamo-los" e suportamos os seus erros.
P.S.: E a factura a pagar são as altas residências e vida de luxo que os predadores continuam a possuir.

Ma-Ry disse...

Justo não é, mas existe justiça? Amanha o Benfica ganhará, o Papa irá a Fátima e Penela organisará uma garraida e o povo será contente e aplaudira em pé.